Um dia um menino sonhou que era poeta e quando ele acordou
viu palavras caindo ao seu redor. Aí ele pegou as palavras, fez versos, estrofes e por fim poesias, que hoje se encontram neste blog.

Uma pequenina casa,
Nem minha sombra lá cabia.
Tinha uma porta
E uma janelinha torta
Que à força se abria.
Havia só um cômodo,
Mas não era um incômodo
Para quem morava lá.
Tinha tanto aconchego
Vida, paz e um sossego.
Era de se admirar.
Está voando pelo céu,
Pelo céu azul de abril,
Entre as nuvens e seus véus.
Um balão de cor anil
É levado pelo vento
Leve, para quem não viu...
Dá ali contentamento.
Um balão de cor anil
Some pra ninguém mais ver,
Dentro dele todo o brio
De quem pôde assim viver.
No Trem
Avança Sulustreco a caminho do infinito
De carona não sei com quem
Solavanca Sulustreco no balanço do trem.
Sonha alto Sulustreco que se ilude
Ele é triste, mas por quê?
Ele não quer nem saber.
Dorme cedo Sulustreco pra sonhar com alegria
Para esconder o medo
Ele dorme até de dia.
Cricri
Ouço o grilo nalgum canto:
Cricri... Cricri...
Eu dali não me levanto.
É sempre assim
Quando deito em minha cama
Cricri... Cricri...
Mas quem é que ele chama?
Quando quer me iludir
Num instante ele pára,
Mas retorna o cricri
E eu debruço minha cara.
O sol chega pra luzir
Na manhã que já começa
Vai o grilo então dormir
Enquanto eu saio na pressa.
O sapo que não sabe pular
Arco e flecha em sua mão
Foi caçar seu alimento
Indiozinho brincalhão
Indiozinho tão valente
Foi na vida se embrenhar
Curioso esse menino
Indiozinho a brincar
Indiozinho ficou triste
Quando viu tudo queimado
Sua tribo sentiu fome
Vi um Índio desolado.
BRUXA QUE É BRUXA
De vassoura noite a fora.
Não é boa...
Nunca foi, não será agora.
Bruxa que é bruxa tem
Um enorme caldeirão
E tem também
Um gato preto espião.
Bruxa que é bruxa é feia,
Tem verruga no nariz,
O cabelo não penteia
E se veste de cor gris.
Bruxa que é bruxa tem de ter
Uma varinha de condão
Para transformar você
(Que leu isto) num anão...
A Gata
A gata mia no telhado,
Mia alto olhando a lua.
Solitária e tristonha
Tem a noite como sua.
Todo dia ela sonha
Com um dono que não vem,
Mas aí quando anoitece
Não consegue ver ninguém.
Ela então desaparece
Entre muros e fachadas,
Ressurgindo noutro canto
Com olhar de abandonada.
Fez do mundo seu recanto
E da vida pouco sabe.
Só escuta o que se deve,
Só se mete onde lhe cabe.
De passagem é sempre breve
Nunca pára num lugar,
Vai de um telhado a outro,
Para nunca mais voltar.

Na colméia àquela tarde,
A Abelha se zangou
Com o zangão que era covarde.
A Abelha era rainha
Mas o Zangão não era o rei...
A Abelha disse a todos:
- Do Zangão me separei!
Foi aquele zunzunzum
Das abelhas curiosas
Que cercavam todas juntas
A rainha furiosa.
E o tempo ia passando
Sem abelhas pelo céu,
As abelhas operárias
Esqueceram até do mel.
Foi um enorme zunzunzum
Quando o Zangão voltou
E quando disse à rainha:
- Operário agora sou!
A rainha então sorriu...
Disse: - Todos ao trabalho!
E acabou-se o zunzunzum
Na colméia lá do galho.









